sexta-feira, abril 23, 2021

Bolsonaro O Mito e o Sintoma
Rubens Casara


presidente da República, Jair Bolsonaro, afirma-se como um dos principais propagandistas da cloroquina no mundo. Sem exageros. Defensor do medicamento que tem sido não recomendado pelas principais autoridades da área de saúde para o tratamento do Covid-19, ele vivenciou uma cena, no mínimo inusitada no domingo, 19/7, ao erguer uma caixa do produto perante apoiadores que se aglomeravam em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Como se fosse uma taça levantada por um capitão em uma final de competição, obteve aplausos de uma plateia delirante, e os gritos ecoaram: “Cloroquina, cloroquina!”.

A cena, segundo Rubens Casara, doutor em Direito, mestre em Ciências Penais e juiz de Direito do Tribunal de Justiça do RJ, demonstra cabalmente a substituição do conhecimento científico pelas crenças estabelecidas sem qualquer rigor ou metodologia. Casara entende que o momento caracteriza o empobrecimento do sujeito, marca própria da racionalidade dominante, ocasião em que a verdade obtida pelo trabalho do cientista é fragilizada pela postura dos negacionistas.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/opiniao/bolsonaro-o-mito-e-o-sintoma/

A Elite do Atraso
Da Escravidão à LavaJato


Jesse Souza argumenta como a escravidão no Brasil formou e caracterizou a sociedade brasileira. Ele analisa e critica autores consagrados do pensamento social brasileiro, como Gilberto Freyre, Raimundo Faoro e Sérgio Buarque de Holanda, segundo os quais o Brasil teria se formado a partir de uma continuidade com Portugal e seu patrimonialismo e criaram o chamado complexo de vira-lata.

Descrevendo quatro classes sociais no Brasil, Souza afirma que a elite, composta pela elite econômica e pela classe média manipulada pela mídia, usou a operação didiático-judiciária contra o governo Dilma Rousseff para combater a ascençao social dos membros das outras duas classes, os trabalhadores semiqualificados e a ralé de novos escravos, para manter os privilégios da elite e as desigualdades sociais no Brasil.

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/A_Elite_do_Atraso

domingo, abril 18, 2021

O Massacre - Eldorado dos Carajás

 

No Dia 17 de Abril passado completaram-se 25 Anos do Massacre de Eldorado do Carajás, “Ação Brutal da Polícia Militar (PM) que assassinou 22 Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e deixou dezenas de feridos na rodovia PA-150”. 

Para relembrar esse episódio, Bianca Pyl e Luís Brasilino recebem o jornalista, escritor e tradutor Eric Nepomuceno, autor do livro “O massacre: Eldorado dos Carajás – uma história de impunidade” https://www.record.com.br/produto/o-massacre/ lançado em 2007 e relançado em 2019 pela editora Record.

A obra reconstitui o passo a passo da Polícia Militar naquela quarta-feira a partir da leitura das quase 20 mil páginas que integram os inquéritos que investigaram o caso, visitas aos assentamentos rurais na região de Marabá e de entrevistas com políticos paraenses, jornalistas, promotores e advogados e, claro, sobreviventes.
Em pauta, a realidade violenta e o quadro de exclusão social, a organização dos trabalhadores sem-terra, a marcha que o MST organizava à época até a capital Belém, o dia do massacre [17/04/1996] e a impunidade que envolve o caso.
Eric traduziu para o Brasil alguns dos mais importantes autores de língua espanhola, entre os quais Juan Rulfo, Julio Cortázar,
Eduardo Galeano e Gabriel García Márquez.
É autor de diversos livros, dentre os quais “Memórias de um setembro na praça”, “Quarenta dólares e outras histórias”, “Hemingway na Espanha”, “Coisas do mundo”, “A palavra nunca” e “Quarta-feira”.
Recebeu quatro prêmios Jabuti, pela tradução dos livros “Doze Contos Peregrinos”, “As Armas Secretas” e “Cem anos de Solidão”, e pela autoria do livro sobre o Massacre de Eldorado dos Carajás.

Guilhotina | Le Monde Diplomatique Brasil

https://api.spreaker.com/v2/episodes/44348779/download.mp3
https://www.central3.com.br/category/podcasts/guilhotina

https://www.central3.com.br/112-os-25-anos-do-massacre-de-eldorado-dos-carajas-com-eric-nepomuceno/


sexta-feira, fevereiro 26, 2021

Cultura, Politica e Ativismo nas Redes Sociais


"O século 21 apresentou um fenômeno cultural tão novo quanto revolucionário: as redes digitais. Não é possível afirmar, com retidão acadêmica, que elas tenham surgido apenas nos últimos vinte anos, mas foi nesse período que ganharam relevância suficiente para se tornar um fenômeno globalizado e ao mesmo tempo político. Nesse sentido e para entender esse fenômeno, o livro Cultura, Política e Ativismo nas Redes Digitais é de grande auxílio."



(Victor Amatucci em resenha para Teoria e Debate)



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segunda-feira, fevereiro 15, 2021

Democracia Fraturada
Pedro Nunes


DEMOCRACIA FRATURADA: a derrubada de Dilma Rousseff, a prisão de Lula e a imprensa no Brasil” é o mais recente livro lançado pelo Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPJ-UFPB) através da Editora do CCTA (Brasil) e RIA Editorial (Portugal), de autoria do professor Pedro Nunes. A obra em forma de ensaio documental, discute e analisa o processo de impeachment de Dilma Rousseff, os bastidores do parlamento brasileiro, as atuações do ex-juiz Sergio Moro, a prisão de Lula, e o papel do jornalismo investigativo no Brasil.

Para a construção textual dos capítulos, o autor utilizou uma metodologia diferencial com a incorporação de técnicas de documentário, recortes de editoriais de jornais brasileiros e estrangeiros, análise de cinco vídeos documentários que tratam sobre as manifestações de junho de 2013 e coberturas do golpe, além de um farto material relacionado a documentos jurídicos, atas da Câmara Federal, artigos de jornais, artigos científicos e livros sobre o golpe de 2016.

Segundo o professor Sergio Gadini, prefaciador do livro, vinculado à Universidade Estadual de Ponta Grossa, “Democracia fraturada é um livro que se justifica pela ousadia reflexiva! Descreve e analisa, de fato, o que representa o golpe que a ‘velha’ mídia noticiou, a partir de uma narrativa desigual e negociada para construir o que ficou publicamente marcado como um ‘golpe à democracia’. p.9”.

O professor Pedro Nunes atua no Mestrado em Jornalismo da UFPB, desde a sua criação em 2013, sendo o referido Programa, o primeiro mestrado em jornalismo profissional do país. Com a sua experiência em jornalismo investigativo e documentário jornalístico, o autor do livro “Democracia Fraturada” atuou no processo de criação e consolidação da Revista Latino-americana de Jornalismo – ÂNCORA, e esteve à frente de vários selos editoriais do PPJ-UFPB.

No livro, o professor Nunes debate, de forma inédita, o cenário político brasileiro cujos acontecimentos de 2016 culminaram com um “golpe à democracia”. Nessa direção Gadini ainda enfatiza: “É possível que a leitura do presente livro seja um alívio à história do presente (e futuro), pois não ficará silenciada a versão dos milhões de brasileiros que, sem imaginar, calaram diante de um golpe à jovem democracia brasileira. p.11”.

O livro também destaca o avanço do conservadorismo, a crise da democracia, a fragilidade do judiciário e a urgência de um jornalismo investigativo no Brasil.“DEMOCRACIA FRATURADA: a derrubada de Dilma Rousseff, a prisão de Lula e a imprensa no Brasil” é o mais recente livro lançado pelo Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPJ-UFPB) através da Editora do CCTA (Brasil) e RIA Editorial (Portugal), de autoria do professor Pedro Nunes. A obra em forma de ensaio documental, discute e analisa o processo de impeachment de Dilma Rousseff, os bastidores do parlamento brasileiro, as atuações do ex-juiz Sergio Moro, a prisão de Lula, e o papel do jornalismo investigativo no Brasil.

Para a construção textual dos capítulos, o autor utilizou uma metodologia diferencial com a incorporação de técnicas de documentário, recortes de editoriais de jornais brasileiros e estrangeiros, análise de cinco vídeos documentários que tratam sobre as manifestações de junho de 2013 e coberturas do golpe, além de um farto material relacionado a documentos jurídicos, atas da Câmara Federal, artigos de jornais, artigos científicos e livros sobre o golpe de 2016.

Segundo o professor Sergio Gadini, prefaciador do livro, vinculado à Universidade Estadual de Ponta Grossa, “Democracia fraturada é um livro que se justifica pela ousadia reflexiva! Descreve e analisa, de fato, o que representa o golpe que a ‘velha’ mídia noticiou, a partir de uma narrativa desigual e negociada para construir o que ficou publicamente marcado como um ‘golpe à democracia’. p.9”.

O professor Pedro Nunes atua no Mestrado em Jornalismo da UFPB, desde a sua criação em 2013, sendo o referido Programa, o primeiro mestrado em jornalismo profissional do país. Com a sua experiência em jornalismo investigativo e documentário jornalístico, o autor do livro “Democracia Fraturada” atuou no processo de criação e consolidação da Revista Latino-americana de Jornalismo – ÂNCORA, e esteve à frente de vários selos editoriais do PPJ-UFPB.

No livro, o professor Nunes debate, de forma inédita, o cenário político brasileiro cujos acontecimentos de 2016 culminaram com um “golpe à democracia”. Nessa direção Gardini ainda enfatiza: “É possível que a leitura do presente livro seja um alívio à história do presente (e futuro), pois não ficará silenciada a versão dos milhões de brasileiros que, sem imaginar, calaram diante de um golpe à jovem democracia brasileira. p.11”.

O livro também destaca o avanço do conservadorismo, a crise da democracia, a fragilidade do judiciário e a urgência de um jornalismo investigativo no Brasil.

Os Onze
Felipe Recondo e Luiz Weber


Desde o julgamento da ação penal 470, mais conhecida como Mensalão, o Supremo Tribunal Federal viu-se no centro do debate nacional. Seus integrantes se tornaram amplamente conhecidos e, também por isso, passaram a usar a opinião pública como fundamento para seus votos. Nos turbulentos anos de uma das maiores crises políticas e econômicas que o país já viveu, o protagonismo a que foi alçado o tribunal criou um conjunto novo de desafios. O livro traz histórias que permitem descrever os contornos, causas e consequências dos grandes casos que envolveram o tribunal, incluindo o recente e polêmico inquérito sobre fake news aberto por Dias Toffoli e comandado por Alexandre de Moraes. Onze é o número de ministros do Supremo, que atuam como “onze ilhas”. A expressão foi cunhada pelo ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence e se consolidou como chave de interpretação para o funcionamento do tribunal, com a proliferação de decisões monocráticas e a sucessão de embates internos. Num momento em que o STF se vê sob o ataque de expoentes do governo federal e de militantes nas redes sociais, entender as dinâmicas da última instância do poder judiciário é mais importante do que nunca. (Resenha: Os Onze – Felipe Recondo e Luiz Weber)

Opinião: Lançado em 2019, o livro Os Onze, escritos pelos jornalistas Felipe Recondo e Luiz Weber, é um grito de alerta para a população brasileira, descortinando o que deveria ser o tribunal de defesa da Constituição Federal Brasileira.

O livro conta os bastidores do STF desde os tempos de julgamento da ação penal 470, o famoso mensalão, onde políticos do governo Lula foram acusados de pagar, com dinheiro público, propina mensal para políticos votarem favoravelmente a projetos de interesse do governo. Na época, o escândalo mostrou que não havia santo no Brasil e que todo o Congresso Brasileiro poderia estar envolvido em um dos maiores escândalos da politica brasileira.

sexta-feira, janeiro 01, 2021

Comunicação Política
Leo Stoppa e Sálvio Nienkötter


As novas tecnologias mudaram abruptamente tudo, e na comunicação política as verdades estabelecidas se desmancham no ar na velocidade com que caminham os bytes nos cabos ópticos em todo o mundo. Inicialmente os setores progressistas se beneficiaram dessa mudança, por se tratar, em geral, de pessoas com maior desenvoltura no mundo virtual e principalmente melhor aparelhadas para escrever em ambientes públicos. Contudo, as forças conservadoras mal sentiram o baque e já partiram para o ataque. Como seu público não tinha as mesmas habilidades, passaram a se valer do dinheiro que dispunham pra investir em neurociência e no processamento mais avançado em lotes incomensuráveis de dados.

Eu e o Stoppa, que estuda e desenvolve esse tema há anos, pretendemos que esse livro seja uma contribuição para que os eleitores progressistas possam interpretar ainda melhor os dados que recebem, gerando assim uma multiplicidade mais consciente quanto aos resultados que alcança. Por outro lado, contamos que esse livro seja de apoio fundamental a quem queira se candidatar a cargos eletivos de agora pra frente.

Sálvio Nienkötter

Leo Stoppa 

Sálvio Nienkötter


https://kotter.com.br/loja/comunicacao-politica-leonardo-stoppa-e-salvio-nienkotter/

sexta-feira, dezembro 18, 2020

A Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire


A Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire e o contraste da militarização do governo Bolsonaro

Paulo Freire, com sua genialidade, que é ímpar, enfatiza que a relação dualista opressor e oprimido é reflexo de uma estrutura que está consolidada e que é fabricada para que permaneça da forma que está. Não obstante, faz se a seguinte reflexão que plagiarei do Texto de Freire: “Qual a razão da situação opressora?” É muito fácil entender que a relação de opressores e oprimidos é uma vertente para que o poder continue funcionando da forma que se encontra, criando mecanismos que impossibilitam a inversão desse quadro. A educação, como forma de libertação do povo, está condicionada e fadada ao fracasso enquanto mecanismo de dominação. Os projetos de privatização das universidades públicas mostram que a educação vai se tornar uma utopia para os pobres e oprimidos no Brasil. O que fazer? E o que não fazer? A segunda pergunta é mais fácil de responder, pois se materializa em nossa situação de passividade com a atual situação; isso caminha junto com os discursos de adeptos a esse governo supra opressor. Privatiza-se uma educação que não é transformadora (libertadora), que reflete ideários de uma concepção elitista (opressora) que vê na educação bancária forma de alienação e estagnação do povo.

Em relação à primeira indagação, reforço refazendo outras: como libertar um povo que se adestra a cada dia com opiniões e conteúdos de uma realidade opressora, que não abre caminhos para o diálogo ou para construção de uma cidadania libertária? Como pode o oprimido se libertar sem oprimir? Boas indagações para uma sociedade que se imerge cada dia mais na corrida capitalista para o consumo exacerbado; onde o que impera é aquisição de mais bens, e não a luta para sua libertação dessas formas de promoção de um Estado opressor. O consumo é uma forma elitista de opressão, que aliena o povo, que o transforma em força de produção dos opressores, para produzir mais para que o oprimido consuma mais: a verdadeira luta de classes. A educação se vê no meio dessa realidade consumista, onde o mercado e as políticas educacionais mantêm o aluno em casa, através da educação EAD, cortando ou, para ser mais exato, findando a relação dialógica entre as pessoas. A educação está sendo trabalhada para ser a menos dialógica possível. Com base nessa educação que imerge o discente em um ambiente em que não há diálogo, só se concretizará o que está sendo construído: a opressão dos opressores. A BNCC é o documento que institucionaliza o poder opressor sobre a classe oprimido, onde eles (opressores) estabelecem o que nós (oprimidos) temos que estudar e aprender – resumindo: viramos robôs de manobra. As perguntas acima levantadas, na medida do possível, só pairam o imaginário ideológico de uma população que está sendo calada e transformada em soldados de um governo imperialista e militar.

O papel da Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire é trazer a consciência àqueles que querem libertar-se de toda essa farsa que se instalou no poder público do Brasil, para que crie uma educação que possa ser planejada e construída pelos oprimidos que já venceram a concepção opressor-oprimido. Não se pode construir uma educação sem que haja a superação do opressor em cada pessoa, pois se criará outra forma de se oprimir, que pode transparecer ser libertadora.


quinta-feira, dezembro 17, 2020

O Capital de Karl Marx


Karl Marx é, por um lado, o teórico da história cujos teoremas têm hoje maior aceitação. A ideia de que as ferramentas e o modo de produção de uma sociedade determinam sua estrutura política e social, e de que o pensamento humano é delineado pelo uso das ferramentas, e as posições morais são formadas por interesses – essas constatações que Marx e Engels reuniram e chamaram de Materialismo Histórico – está presente hoje em muitas ciências, entre elas na Sociologia, Pedagogia, Psicologia, Estudos da Religião, Literatura, Ciências da Engenharia e da Cognição, para citar apenas algumas.

Com relação a O capital, a principal obra de Marx, a situação difere. Por um lado, nenhuma outra obra dentro das Ciências Sociais nos últimos 150 anos incitou de maneira tão intensa o debate intelectual, nem teve um efeito político tão forte. O movimento dos trabalhadores europeus, os revolucionários bolcheviques, os movimentos de libertação do que se chamou de “Terceiro Mundo” – todos eles referiram-se ao Capital de Marx, que não apenas analisou a mecânica fina do capitalismo, mas parecia fazer profecias com relação a seu fim. E justamente por isso nenhuma outra teoria foi ignorada de maneira tão insistente pelo mainstream econômico, sobretudo nos anos de concorrência global entre sistemas.

Hoje, depois do fim da Guerra Fria e na era da crise climática, do subemprego crônico, da desigualdade global, da especulação financeira e de um crescimento debilitado, não são apenas os esquerdistas remanescentes que falam do fim do capitalismo. Dentro das Ciências Econômicas, dissemina-se o uso do termo “estagnação secular”. E na cúpula mundial dos poderosos do capital, cursa a frase: “O sistema capitalista não combina mais com este mundo”.


Em Nome de Deus
Karen Amstrong


Na apresentação de Karen Armstrong (foto), no livro Em nome de Deus: o fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo (Tradução: Hildegard Feist. São Paulo; Companhia das Letras; 2001) ela afirma que um dos fatos mais alarmantes do século XX foi o surgimento de uma devoção militante, popularmente conhecida como “fundamentalismo“, dentro das grandes traduções religiosas. Os que cometem ataques terroristas e de intolerância homofóbica e contra o aborto constituem uma pequena minoria, porém até os fundamentalistas mais pacatos e ordeiros são desconcertantes, pois parecem avessos a muitos dos valores mais positivos da sociedade moderna. Democracia, pluralismo, tolerância religiosa, paz internacional, liberdade de expressão, separação entre Igreja e Estado — nada disso lhes interessa.

Os fundamentalistas cristãos rejeitam as descobertas da Biologia e da Física sobre as origens da vida e afirmam que o Livro do Gênesis é cientificamente exato em todos os detalhes. Os fundamentalistas judeus observam sua Lei Revelada com uma rigidez maior que nunca, e as mulheres muçulmanas, repudiando as liberdades das ocidentais, cobrem-se da cabeça aos pés com seu xador. Os fundamentalistas islâmicos e judeus têm uma visão exclusivamente religiosa do conflito árabe-israelense, que começou como uma disputa secularista.




sexta-feira, dezembro 11, 2020

Bolsonaro - O Mito e o Sintoma de Rubens Casara



O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirma-se como um dos principais propagandistas da cloroquina no mundo. Sem exageros. Defensor do medicamento que tem sido não recomendado pelas principais autoridades da área de saúde para o tratamento do Covid-19, ele vivenciou uma cena, no mínimo inusitada no domingo, 19/7, ao erguer uma caixa do produto perante apoiadores que se aglomeravam em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Como se fosse uma taça levantada por um capitão em uma final de competição, obteve aplausos de uma plateia delirante, e os gritos ecoaram: 
“Cloroquina, cloroquina!”.
A cena, segundo Rubens Casara, doutor em Direito, mestre em Ciências Penais e juiz de Direito do Tribunal de Justiça do RJ, demonstra cabalmente a substituição do conhecimento científico pelas crenças estabelecidas sem qualquer rigor ou metodologia. Casara entende que o momento caracteriza o empobrecimento do sujeito, marca própria da racionalidade dominante, ocasião em que a verdade obtida pelo trabalho do cientista é fragilizada pela postura dos integracionistas.
Casara, que também é membro da Associação Juízes para a Democracia – AJD, e lançou recentemente, pela editora Contracorrente, o livro “Bolsonaro: o mito e o sintoma”, em que expõe por um texto claro e fundamentado, pontos que envolvem as condições que possibilitaram a amplitude da campanha bolsonarista e seu “pensamento empobrecido”, facilitador para que um significativo contingente da população brasileira incorporasse a lógica neoliberal. Ou seja, aquela que, na opinião do autor, trata de ideias e sujeitos como mercadorias, e levaram ao apoio de um governante de feição explicitamente autoritária. Como bem prefacia o jurista, professor e editor, Rafael Valim: “Nesta obra ele procura mostrar como uma massa de brasileiros foi convencida a votar numa pessoa tão despreparada para presidir a nação, e como chegamos a esse momento tão difícil da democracia no Brasil”.


sexta-feira, setembro 18, 2020

Ódio à Democracia de Jacques Ranciere


2005 na França, Jacques Rancière, um dos mais importantes filósofos da atualidade, conduz o leitor por um passeio pela história da crítica à democracia para situá-la no cerne político do momento atual, procurando esclarecer o que há de novo e revelador no sentimento antidemocrático, uma manifestação tão antiga quanto a própria noção de democracia.
Dessa forma, Rancière repensa o poder subversivo do ideal democrático e o que se entende por política, para assim encontrar o caráter incisivo de sua ideia. O livro ganha edição em português pela Boitempo Editorial em um momento único da política brasileira, no contexto de um cenário eleitoral surpreendente, que sintetiza a efervescência social dos últimos anos, revelada com mais intensidade nas manifestações sociais de junho de 2013.
A obra mostra-se atual também em relação ao debate que vem crescendo sobre participação e representação popular, democracia direta e o desejo de que a política signifique mais do que uma escolha entre oligarcas substituíveis. 'É justamente essa recusa da hierarquia que tem a ganhar com a leitura deste livro de Jacques Rancière que, à luz dos clássicos como da experiência francesa e mundial, continua um trabalho sempre renovado, jamais concluso, de afiar o gume da democracia', afirma o filósofo Renato Janine Ribeiro no texto de orelha do livro.
Com uma narrativa que prima pela erudição e absoluta ausência de afetação, Rancière faz uma análise oportuna sobre as contradições dos Estados democráticos e lança uma crítica ao sistema representativo vigente a partir de uma afirmação polêmica: 'Não vivemos em democracias. Vivemos em Estados de direito oligárquicos, em um admirável sistema que dá à minoria mais forte o poder de governar sem distúrbios'. Nesse contexto, o ódio à democracia se apresenta como o ódio ao povo e seus costumes - à sociedade que busca a igualdade, o respeito às diferenças e o direito das minorias -, e não às instituições que dizem encarnar o poder do povo. 




domingo, setembro 13, 2020

A Queda Para o Alto de Anderson Herzer


“Vi a lenta corrupção,
Vi o olhar do corruptor,
Vi uma vida na destruição
Eu vi o assassinato do amor”
(Trecho do poema “A Gota de Sangue”, Anderson Herzer, A Queda Para o Alto, 1982)
Para Jaques Ranciére, um dos mais importantes pensadores contemporâneos, a política da literatura não diz respeito à política dos escritores, nem aos seus engajamentos nas lutas políticas ou sociais do seu tempo. A literatura faz política enquanto literatura, enquanto estética da palavra, estabelecendo novos laços de comunicação, germinando pontes estéticas, fazendo florescer novas sensibilidades. A literatura, como toda arte, faz política acendendo (e não esclarecendo) novos olhares, excitando as inquietudes. 
A política, ao seu passo, funciona como uma forma de colocar nossas sensibilidades em prática. De torná-las linguagem. É dentro da política que concretizamos esse desejo sensível, e assim, diz Ranciére, esse desejo se torna uma estética, uma superfície, uma bandeira. De forma similar à religião, essas bandeiras estruturam a consciência e o comportamento humano, produzem instituições, que logo serão destruídas, para erigir e legitimar novas. 
O livro “A Queda Para o Alto” será o resultado desse encontro entre literatura e política: Uma literatura que faz política e uma política que se parece, como poucas, com a literatura, com a arte mesma. O encontro entre Anderson Herzer e Eduardo Suplicy será fundamental para concretizar a primeira publicação de um livro escrito por um homem transexual aqui no Brasil.


A República das Milícias


Fabrício Queiroz, Adriano da Nóbrega, Ronnie Lessa. Os três foram protagonistas de uma forma violenta de gestão de território que tomou corpo nos últimos vinte anos e ganha neste livro um retrato por inteiro: as milícias. Dos esquadrões da morte formados nos anos 1960 ao domínio do tráfico nos anos 1980 e 1990, dos porões da ditadura militar às máfias de caça-níquel, da ascensão do modelo de negócios miliciano ao assassinato de Marielle Franco, este livro joga luz sobre uma face sombria da experiência nacional que passou ao centro do palco com a eleição de Jair Bolsonaro à presidência em 2018.


quarta-feira, agosto 26, 2020

Em Nome de Quem? A Bancada Evangélica e seu Projeto de Poder


As pesquisas para esse livro-reportagem começaram lá atrás, em 2015, quando escrevi a reportagem “Os Pastores do Congresso”, financiada por 945 pessoas e votada através do Reportagem Pública.
Na época, Dilma Rousseff ainda era presidente, e o que se sentia nos corredores do Congresso Nacional eram uma tensão e uma atenção ao redor de Eduardo Cunha, que teria papel central no processo de impeachment e ajudou a projetar a própria bancada evangélica.
Um culto dentro do Congresso Nacional, em que estive presente, reuniu boa parte dessa bancada – inclusive o próprio Cunha – para escutar o pregador que falava em crise e exortava os pastores deputados a se posicionar – como fariam.
Quando a editora Civilização Brasileira me convidou a transformar a matéria em livro, mergulhei novamente em campo, dos cultos no Congresso aos projetos de lei; das igrejas às redes de comunicação. Bati à porta dos gabinetes de cada um dos deputados da bancada evangélica (nem sempre fui bem recebida) para aprofundar minha investigação sobre as razões da postura aguerrida dos políticos evangélicos, sua crescente aproximação política com a direita, seu papel no impeachment de Dilma, no governo Temer, suas articulações para aprovar suas pautas. Visitei igrejas, ouvi sermões extremamente políticos e pude entender um pouco melhor a pressão exercida sobre os fiéis para votarem “dentro da visão”.
Nesse Em nome de quem? – pergunta central desse livro-reportagem, procuro compreender ainda as origens do pentecostalismo no Brasil, os princípios expressos na teologia da prosperidade e do domínio, a criação da “ideologia de gênero”; bem como retratar o crescimento e o alcance cada vez maior das igrejas evangélicas nas periferias e nos movimentos sociais. Depois de tudo isso, o que posso dizer (sem dar muitos spoilers do livro, que chega esta semana às livrarias) é que não devemos subestimar o poder crescente dessa religião que penetra dos rincões do país às instâncias dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário em ritmo crescente e acelerado

terça-feira, agosto 18, 2020

10 Livros para comemorar o centenário de Florestan Fernandes


Florestan Fernandes, um dos mais influentes sociólogos brasileiros, completaria 100 anos no próximo dia 22 de julho. Mestre da sociologia brasileira, Fernandes foi professor da USP, deputado pelo Partido dos Trabalhadores e trouxe uma nova perspectiva das ciências sociais no Brasil, por meio de seu trabalho que questionava a realidade social.
Para celebrar, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a editora Expressão Popular e a Escola Nacional Florestan Fernandes prepararam vários materiais que começam a ser publicados esta semana. Para começar os estudos, confira abaixo uma lista de 10 obras disponíveis na Expressão Popular:

1 – Contestação necessária - retratos intelectuais de inconformistas e revolucionários
Escrito em um contexto em que Florestan Fernandes lutava ativamente na frente intelectual, enfrentando graves problemas de saúde e o transformismo que repercutia no pensamento crítico mundial, “A Contestação Necessária: retratos intelectuais de inconformistas e revolucionários” tem como origem a obra original “Em busca do Socialismo” que, reorganizada com “a cooperação fraterna e incansável de Vladimir Sacchetta, que desconhece sacrifícios para facilitar a minha vida”, deu origem aos seus dois livros póstumos. O Prefácio, elaborado por Florestan, foi concluído três semanas antes da internação para o transplante de fígado, 21 dias antes de seu falecimento, em 10 de agosto de 1995.

2 – Significado do protesto negro
Parte dos estudos sobre a questão racial está no conjunto de textos apresentado nessa nova edição de “Significado do Protesto Negro”. São textos que relacionam capitalismo e racismo para que se compreenda a desigualdade racial e a condição de pobreza da população negra que os representantes das elites da casa-grande, com o golpe em curso no Brasil, tentam manter como garantia da manutenção de seus privilégios e postos de mando e opressão, o que, juntos com Florestan Fernandes, aprendemos a enfrentar.

3 – Marx, Engels, Lenin – a história em processo
Os dois textos reunidos nesse oportuno e, desde já, indispensável livro evidenciam o inteiro domínio de Florestan Fernandes no trato das obras seminais daqueles clássicos e explicitam sua opção de classe e seu compromisso político com “os de baixo”. Os escritos do autor coligidos neste volume são uma preciosa arma para a crítica teórica que fará todo o sentido para estudantes, pesquisadores e militantes sociais se eles atribuírem à leitura o que mais desejariam Marx, Engels, Lenin e Florestan: a translação do pensamento para a ação política revolucionária.
Por Fernanda Alcântara
Da Página do MST



quinta-feira, junho 25, 2020

Entre Salas e Celas
Marcelo Semer


Livre de discursar sobre a laicidade do Estado Brasileiro, a corrupção que aparentemente existe no meio Judiciário do país, e outros temas tão polêmicos quanto de vasta análise, as trinta e quatro crônicas de Entre Salas e Celas, da Editora Autonomia Literária, permitem-se mergulhar de cabeça no componente humano para qual o sistema criou todo o seu aparato jurídico. Ao representar, dentro de um tribunal, e com todas as suas figuras típicas, seus clichês de interrogatórios e suas suspeitas, a ordem social que deve ser mantida e respeitada, o juiz Marcelo Semer expõe um caráter confidencial em relatos de uma vida inteira de profissão, e que denotam o quanto o mundo das leis é impulsionado não apenas pela razão, como pela emoção, e, muitas vezes, até mesmo, pelo peso do acaso. 
De audiência em audiência, o leitor é convidado a adentrar no mundo da criminalidade urbana brasileira além dos becos, das favelas, do Congresso Nacional, mas num cenário onde a última palavra é sempre dita por quem é sempre impactado pelos milhares de casos que já julgou. Assim como um professor que lembra boa parte dos nomes de seus alunos, um Excelentíssimo não é incólume a isso – em absoluto. Ao relembrar os seus vinte anos de profissão nas varas criminais de São Paulo, Semer explora com curiosidade algumas situações que passou, outras com mais carinho, ou com um pesar que verte das páginas. Sua profissão jamais poderia ser a mais feliz, e certamente é uma das mais desafiantes, intelectual e emocionalmente, num país cujos inúmeros problemas fazem ferver o banco dos réus. 
Até porque, na complexidade da vida humana, os fatores se misturam e as circunstâncias de um determinado caso, triviais por excelência, podem ser bastante dramáticas diante da figura emblemática, e intimidante para alguns, de um “doutor” capaz de decidir solenemente a vida de um(a) cidadã(o) qualquer. Os relatos não poderiam ser mais espirituosos, honestos e reféns, claro, da realidade brasileira de indivíduos que, ou se envolvem com ações criminais, ou são envolvidos até prestarem depoimento e serem imprevisíveis no choro, no riso, no suor ou no grito quando submetidos ao crivo definitivo, libertador ou não, da balança implacável. Como esquecer, portanto, o choro de uma mãe no tribunal, ou o condenado que reconhece seus crimes, e aprova, intenso, sua própria prisão? 
São coisas assim, inesquecíveis, que a memória sensível de um magistrado, mesmo experiente, não apaga – e não consegue, então, guardar só para si mesmo. No país de Rafael Braga, e Aécio Neves, dois pesos nem sempre são duas medidas. Talvez o grande árbitro, humano acima de tudo, e sempre cercado de advogados, testemunhas e promotores, se inspire então nos ideais de honestidade de boa parte dos seus julgados ao confessar, numa das melhores crônicas do livro, que os três P’s (Pretos, Pobres e Prostitutas) são de fato os clientes preferenciais da justiça penal no Brasil. Negar isso seria negar o óbvio, tendo nisso uma honrosa oportunidade, perdida pelo livro, em criticar o sistema e os seus meandros mais íntimos. Uma pena. 


segunda-feira, maio 04, 2020

Anna Karenina
Liev Tolstoi


Anna Kariênina, escrito por Liev Tolstói, é definitivamente um dos maiores clássicos literários de todos os tempos. Assim como Madame Bovary e Jane Eyre, eu nunca tinha lido, mas sabia, por alto, que era sobre uma mulher forte, uma mulher que abriu caminho para muitas outras na literatura. Eu já tinha visto o filme também, dirigido pelo mestre das adaptações Joe Wright (exceto por Pan), e me apaixonado pelos personagens. Algo me dizia que era a hora.

O livro leva o nome de Anna, mas essa é apenas uma das muitas histórias que acompanharemos, como a genial primeira frase do livro já nos avisa:
"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira". 
Tudo começa com Oblónski, um servidor público bem do canastrão, que é pego traindo sua esposa, Dolly, com a governanta da casa. Chamam, então, Anna, irmã do traidor, para tentar convencer a cunhada de que nem tudo está perdido. 




domingo, maio 03, 2020

A Peste de Albert Camus



Em 1947, o escritor argelino Albert Camus (1913-1960) publicou A peste. Versão romanceada da filosofia existencialista, A peste é um livro que trata da solidariedade que a todos devemos, da liberdade de escolha e da responsabilidade sobre nossas escolhas. Os tristes e preocupantes fatos dos últimos dias reposicionaram esse livro no centro das atenções de quem a respostas frívolas e não pensadas prefere uma reflexão mais séria sobre as contingências da vida. Esse é o tema dos embargos culturais dessa semana. 
Em uma cidade do norte da Argélia (Oran é o nome), em 1940, um médico encontrou um rato morto ao deixar seu consultório. Noticiou o fato ao responsável pela limpeza do prédio, que se mostrou incrédulo. No dia seguinte, outro rato foi encontrado, morto, e no mesmo lugar. A esposa do médico tinha tuberculose e foi levada para um sanatório. O médico recebeu um jornalista francês que pretendia entrevistá-lo sobre as condições de vida dos árabes da cidade. 
A quantidade de ratos parecia aumentar exponencialmente. Os ratos começaram a ser queimados. Em um único dia, 8 mil ratos foram coletados e encaminhados para cremação. A cidade entrou em pânico. As pessoas sofriam com muita febre, e as mortes se multiplicavam. Decretou-se um “estado de praga”. Os muros da cidade foram fechados. Iniciou-se a quarentena. Preocupava-se com a expansão da doença. 
Famílias foram separadas. Os mais doentes foram conduzidos para outros pontos da cidade. O padre local fez um inflamado sermão dizendo tratar-se de um castigo divino e que a cidade o merecia. Estavam sofrendo. Mas mereciam, dizia o padre. Prisioneiros eram usados para movimentar e enterrar cadáveres. Os corpos se amontoavam nas ruas. Crianças morriam. O padre ainda achava que tudo decorria dos planos divinos. Afirmava que os cristãos deveriam aceitar o destino. O padre morreu. Camus era um anticlerical. Mas era realista. 
Em determinado momento, as mortes começaram a diminuir. Fechou-se um ciclo. As portas da cidade se abriram. As famílias, então separadas, começavam a se reunir. Acabou. A praga durou 10 meses. O enredo, no entanto, é longo, e conta com muitas variações e subtemas. Vale a pena uma leitura detida. 
Esse livro estonteante é uma clara e direta crítica ao nazismo e à ocupação militar alemã, que humilhou e subjugou os franceses. Camus participou da Resistência, grupo que se insurgia contra os alemães que ocupavam Paris. Escrito ao longo da guerra, com a expectativa que de que a aflição passasse um dia, A peste é uma lembrança de que o pior sofrimento um dia se acaba. Noites são escuras. Mas não são eternas. A peste é também discurso contra qualquer forma de opressão humana, da qual o nazismo revelava-se como a mais opressiva de todas. A peste é ainda atitude de incredulidade para com o absurdo, contra o qual conduz revolta necessária e libertadora. 
Camus concluiu esse desesperado livro lembrando que o bacilo da peste não morre e não desaparece. Avisou-nos que o bacilo da peste fica “dezenas de anos a dormir nos móveis e nas roupas”. Ainda, advertiu que a peste “espera com paciência nos quartos, nos porões, nas malas, nos papeis, nos lenços”. E quando volta, “para nossa desgraça, manda os ratos morrerem numa cidade feliz”. Trocando-se ratos e bacilos por outros vírus e pragas tem-se o quadro aflitivo que eu e o leitor vivemos. E os mais fragilizados mais ainda. 


sábado, maio 02, 2020

Marisa Letícia Lula da Silva Porque Indiquei Este Livro




A repercussão da internação de Dona Marisa Letícia em decorrência de um AVC, em 2017, milhares de brasileiros e brasileiras ficaram curiosos (as) sobre a vida dessa mulher simples, como Primeira Dama do Brasil. 

Depois de muitas pesquisas encontrei o artigo “Marisa Letícia Lula da Silva: as palavras que precisavam ser ditas” de autoria da jornalista Hildegard Angel. Uma leitura emocionante, que é impossível não despertar admiração e respeito pela então Primeira Dama da República Federativa do Brasil. 

Dona Marisa foi uma mulher incrivelmente especial. E você pode confirmar isso, tanto no livro “Marisa Letícia Lula da Silva” de Camilo Vannutti, indicado pela Fines, como também no artigo de Angel. 

Sandra Rezende


Leia aqui o artigo de Hildegard Angel



Livro Camilo Vannuchi

Marisa Letícia Lula da Silva é uma das figuras mais emblemáticas da história brasileira contemporânea. Companheira do principal líder político do país desde os anos 1970, Lula, Marisa foi retratada de diferentes maneiras: submissa e dócil, forte e mandona, ignorante, inexpressiva ou vingativa. Nenhuma chegou perto da verdadeira Marisa.

https://www.alamedaeditorial.com.br/historia/marisa-leticia-lula-da-silva-de-camilo-vannuchi