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sexta-feira, dezembro 11, 2020

Bolsonaro - O Mito e o Sintoma de Rubens Casara



O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirma-se como um dos principais propagandistas da cloroquina no mundo. Sem exageros. Defensor do medicamento que tem sido não recomendado pelas principais autoridades da área de saúde para o tratamento do Covid-19, ele vivenciou uma cena, no mínimo inusitada no domingo, 19/7, ao erguer uma caixa do produto perante apoiadores que se aglomeravam em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Como se fosse uma taça levantada por um capitão em uma final de competição, obteve aplausos de uma plateia delirante, e os gritos ecoaram: 
“Cloroquina, cloroquina!”.
A cena, segundo Rubens Casara, doutor em Direito, mestre em Ciências Penais e juiz de Direito do Tribunal de Justiça do RJ, demonstra cabalmente a substituição do conhecimento científico pelas crenças estabelecidas sem qualquer rigor ou metodologia. Casara entende que o momento caracteriza o empobrecimento do sujeito, marca própria da racionalidade dominante, ocasião em que a verdade obtida pelo trabalho do cientista é fragilizada pela postura dos integracionistas.
Casara, que também é membro da Associação Juízes para a Democracia – AJD, e lançou recentemente, pela editora Contracorrente, o livro “Bolsonaro: o mito e o sintoma”, em que expõe por um texto claro e fundamentado, pontos que envolvem as condições que possibilitaram a amplitude da campanha bolsonarista e seu “pensamento empobrecido”, facilitador para que um significativo contingente da população brasileira incorporasse a lógica neoliberal. Ou seja, aquela que, na opinião do autor, trata de ideias e sujeitos como mercadorias, e levaram ao apoio de um governante de feição explicitamente autoritária. Como bem prefacia o jurista, professor e editor, Rafael Valim: “Nesta obra ele procura mostrar como uma massa de brasileiros foi convencida a votar numa pessoa tão despreparada para presidir a nação, e como chegamos a esse momento tão difícil da democracia no Brasil”.


domingo, setembro 13, 2020

A Queda Para o Alto de Anderson Herzer


“Vi a lenta corrupção,
Vi o olhar do corruptor,
Vi uma vida na destruição
Eu vi o assassinato do amor”
(Trecho do poema “A Gota de Sangue”, Anderson Herzer, A Queda Para o Alto, 1982)
Para Jaques Ranciére, um dos mais importantes pensadores contemporâneos, a política da literatura não diz respeito à política dos escritores, nem aos seus engajamentos nas lutas políticas ou sociais do seu tempo. A literatura faz política enquanto literatura, enquanto estética da palavra, estabelecendo novos laços de comunicação, germinando pontes estéticas, fazendo florescer novas sensibilidades. A literatura, como toda arte, faz política acendendo (e não esclarecendo) novos olhares, excitando as inquietudes. 
A política, ao seu passo, funciona como uma forma de colocar nossas sensibilidades em prática. De torná-las linguagem. É dentro da política que concretizamos esse desejo sensível, e assim, diz Ranciére, esse desejo se torna uma estética, uma superfície, uma bandeira. De forma similar à religião, essas bandeiras estruturam a consciência e o comportamento humano, produzem instituições, que logo serão destruídas, para erigir e legitimar novas. 
O livro “A Queda Para o Alto” será o resultado desse encontro entre literatura e política: Uma literatura que faz política e uma política que se parece, como poucas, com a literatura, com a arte mesma. O encontro entre Anderson Herzer e Eduardo Suplicy será fundamental para concretizar a primeira publicação de um livro escrito por um homem transexual aqui no Brasil.


quarta-feira, agosto 26, 2020

Em Nome de Quem? A Bancada Evangélica e seu Projeto de Poder


As pesquisas para esse livro-reportagem começaram lá atrás, em 2015, quando escrevi a reportagem “Os Pastores do Congresso”, financiada por 945 pessoas e votada através do Reportagem Pública.
Na época, Dilma Rousseff ainda era presidente, e o que se sentia nos corredores do Congresso Nacional eram uma tensão e uma atenção ao redor de Eduardo Cunha, que teria papel central no processo de impeachment e ajudou a projetar a própria bancada evangélica.
Um culto dentro do Congresso Nacional, em que estive presente, reuniu boa parte dessa bancada – inclusive o próprio Cunha – para escutar o pregador que falava em crise e exortava os pastores deputados a se posicionar – como fariam.
Quando a editora Civilização Brasileira me convidou a transformar a matéria em livro, mergulhei novamente em campo, dos cultos no Congresso aos projetos de lei; das igrejas às redes de comunicação. Bati à porta dos gabinetes de cada um dos deputados da bancada evangélica (nem sempre fui bem recebida) para aprofundar minha investigação sobre as razões da postura aguerrida dos políticos evangélicos, sua crescente aproximação política com a direita, seu papel no impeachment de Dilma, no governo Temer, suas articulações para aprovar suas pautas. Visitei igrejas, ouvi sermões extremamente políticos e pude entender um pouco melhor a pressão exercida sobre os fiéis para votarem “dentro da visão”.
Nesse Em nome de quem? – pergunta central desse livro-reportagem, procuro compreender ainda as origens do pentecostalismo no Brasil, os princípios expressos na teologia da prosperidade e do domínio, a criação da “ideologia de gênero”; bem como retratar o crescimento e o alcance cada vez maior das igrejas evangélicas nas periferias e nos movimentos sociais. Depois de tudo isso, o que posso dizer (sem dar muitos spoilers do livro, que chega esta semana às livrarias) é que não devemos subestimar o poder crescente dessa religião que penetra dos rincões do país às instâncias dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário em ritmo crescente e acelerado

terça-feira, agosto 18, 2020

10 Livros para comemorar o centenário de Florestan Fernandes


Florestan Fernandes, um dos mais influentes sociólogos brasileiros, completaria 100 anos no próximo dia 22 de julho. Mestre da sociologia brasileira, Fernandes foi professor da USP, deputado pelo Partido dos Trabalhadores e trouxe uma nova perspectiva das ciências sociais no Brasil, por meio de seu trabalho que questionava a realidade social.
Para celebrar, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a editora Expressão Popular e a Escola Nacional Florestan Fernandes prepararam vários materiais que começam a ser publicados esta semana. Para começar os estudos, confira abaixo uma lista de 10 obras disponíveis na Expressão Popular:

1 – Contestação necessária - retratos intelectuais de inconformistas e revolucionários
Escrito em um contexto em que Florestan Fernandes lutava ativamente na frente intelectual, enfrentando graves problemas de saúde e o transformismo que repercutia no pensamento crítico mundial, “A Contestação Necessária: retratos intelectuais de inconformistas e revolucionários” tem como origem a obra original “Em busca do Socialismo” que, reorganizada com “a cooperação fraterna e incansável de Vladimir Sacchetta, que desconhece sacrifícios para facilitar a minha vida”, deu origem aos seus dois livros póstumos. O Prefácio, elaborado por Florestan, foi concluído três semanas antes da internação para o transplante de fígado, 21 dias antes de seu falecimento, em 10 de agosto de 1995.

2 – Significado do protesto negro
Parte dos estudos sobre a questão racial está no conjunto de textos apresentado nessa nova edição de “Significado do Protesto Negro”. São textos que relacionam capitalismo e racismo para que se compreenda a desigualdade racial e a condição de pobreza da população negra que os representantes das elites da casa-grande, com o golpe em curso no Brasil, tentam manter como garantia da manutenção de seus privilégios e postos de mando e opressão, o que, juntos com Florestan Fernandes, aprendemos a enfrentar.

3 – Marx, Engels, Lenin – a história em processo
Os dois textos reunidos nesse oportuno e, desde já, indispensável livro evidenciam o inteiro domínio de Florestan Fernandes no trato das obras seminais daqueles clássicos e explicitam sua opção de classe e seu compromisso político com “os de baixo”. Os escritos do autor coligidos neste volume são uma preciosa arma para a crítica teórica que fará todo o sentido para estudantes, pesquisadores e militantes sociais se eles atribuírem à leitura o que mais desejariam Marx, Engels, Lenin e Florestan: a translação do pensamento para a ação política revolucionária.
Por Fernanda Alcântara
Da Página do MST



segunda-feira, maio 04, 2020

Anna Karenina
Liev Tolstoi


Anna Kariênina, escrito por Liev Tolstói, é definitivamente um dos maiores clássicos literários de todos os tempos. Assim como Madame Bovary e Jane Eyre, eu nunca tinha lido, mas sabia, por alto, que era sobre uma mulher forte, uma mulher que abriu caminho para muitas outras na literatura. Eu já tinha visto o filme também, dirigido pelo mestre das adaptações Joe Wright (exceto por Pan), e me apaixonado pelos personagens. Algo me dizia que era a hora.

O livro leva o nome de Anna, mas essa é apenas uma das muitas histórias que acompanharemos, como a genial primeira frase do livro já nos avisa:
"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira". 
Tudo começa com Oblónski, um servidor público bem do canastrão, que é pego traindo sua esposa, Dolly, com a governanta da casa. Chamam, então, Anna, irmã do traidor, para tentar convencer a cunhada de que nem tudo está perdido. 




domingo, maio 03, 2020

A Peste de Albert Camus



Em 1947, o escritor argelino Albert Camus (1913-1960) publicou A peste. Versão romanceada da filosofia existencialista, A peste é um livro que trata da solidariedade que a todos devemos, da liberdade de escolha e da responsabilidade sobre nossas escolhas. Os tristes e preocupantes fatos dos últimos dias reposicionaram esse livro no centro das atenções de quem a respostas frívolas e não pensadas prefere uma reflexão mais séria sobre as contingências da vida. Esse é o tema dos embargos culturais dessa semana. 
Em uma cidade do norte da Argélia (Oran é o nome), em 1940, um médico encontrou um rato morto ao deixar seu consultório. Noticiou o fato ao responsável pela limpeza do prédio, que se mostrou incrédulo. No dia seguinte, outro rato foi encontrado, morto, e no mesmo lugar. A esposa do médico tinha tuberculose e foi levada para um sanatório. O médico recebeu um jornalista francês que pretendia entrevistá-lo sobre as condições de vida dos árabes da cidade. 
A quantidade de ratos parecia aumentar exponencialmente. Os ratos começaram a ser queimados. Em um único dia, 8 mil ratos foram coletados e encaminhados para cremação. A cidade entrou em pânico. As pessoas sofriam com muita febre, e as mortes se multiplicavam. Decretou-se um “estado de praga”. Os muros da cidade foram fechados. Iniciou-se a quarentena. Preocupava-se com a expansão da doença. 
Famílias foram separadas. Os mais doentes foram conduzidos para outros pontos da cidade. O padre local fez um inflamado sermão dizendo tratar-se de um castigo divino e que a cidade o merecia. Estavam sofrendo. Mas mereciam, dizia o padre. Prisioneiros eram usados para movimentar e enterrar cadáveres. Os corpos se amontoavam nas ruas. Crianças morriam. O padre ainda achava que tudo decorria dos planos divinos. Afirmava que os cristãos deveriam aceitar o destino. O padre morreu. Camus era um anticlerical. Mas era realista. 
Em determinado momento, as mortes começaram a diminuir. Fechou-se um ciclo. As portas da cidade se abriram. As famílias, então separadas, começavam a se reunir. Acabou. A praga durou 10 meses. O enredo, no entanto, é longo, e conta com muitas variações e subtemas. Vale a pena uma leitura detida. 
Esse livro estonteante é uma clara e direta crítica ao nazismo e à ocupação militar alemã, que humilhou e subjugou os franceses. Camus participou da Resistência, grupo que se insurgia contra os alemães que ocupavam Paris. Escrito ao longo da guerra, com a expectativa que de que a aflição passasse um dia, A peste é uma lembrança de que o pior sofrimento um dia se acaba. Noites são escuras. Mas não são eternas. A peste é também discurso contra qualquer forma de opressão humana, da qual o nazismo revelava-se como a mais opressiva de todas. A peste é ainda atitude de incredulidade para com o absurdo, contra o qual conduz revolta necessária e libertadora. 
Camus concluiu esse desesperado livro lembrando que o bacilo da peste não morre e não desaparece. Avisou-nos que o bacilo da peste fica “dezenas de anos a dormir nos móveis e nas roupas”. Ainda, advertiu que a peste “espera com paciência nos quartos, nos porões, nas malas, nos papeis, nos lenços”. E quando volta, “para nossa desgraça, manda os ratos morrerem numa cidade feliz”. Trocando-se ratos e bacilos por outros vírus e pragas tem-se o quadro aflitivo que eu e o leitor vivemos. E os mais fragilizados mais ainda. 


sábado, maio 02, 2020

Marisa Letícia Lula da Silva de Camilo Vannutti



Na cozinha de uma casa no Jardim Lavínia, em São Bernardo do Campo, um grupo de mulheres trabalha sobre tecidos, tintas e telas. São vizinhas, irmãs e companheiras de partido de Marisa Letícia, que lidera a produção de camisetas para a campanha do marido ao governo do Estado de São Paulo, em 1982. Dali saem 200 peças por dia, em modelos variados. Na mais famosa, a palavra “optei” aparece em vermelho e preto, as letras “P” e “T” na cor do recém-fundado Partido dos Trabalhadores. 
Não era a primeira e nem seria a última vez que a dona de casa se engajaria nas empreitadas políticas do companheiro. Da eleição de Lula à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em 1975, até a chegada ao Palácio do Planalto, em 2002, Marisa acumularia diversas funções, além de mãe de quatro filhos e chefe da casa dos Lula da Silva. 

sexta-feira, maio 01, 2020

Tormenta de Thais Oyama




O capitão e os generais 

Jair Bolsonaro subiu ao palco de Davos com o cenho franzido. Era o primeiro mandatário sul-americano que abria o Fórum Econômico Mundial. O evento, no dia 22 de janeiro, reuniu na cidade suíça setenta chefes de Estado e de governo e 3500 participantes, entre políticos tarimbados e membros da elite financeira global. De sobretudo de lã, apesar do ambiente superaquecido, o presidente brasileiro começou seu discurso com um improviso: Confesso que estou emocionado e me sinto muito honrado em me dirigir a uma plateia tão seleta. [...] O Brasil precisa de vocês, e vocês, com toda certeza em parte, precisam do nosso querido Brasil. Boa tarde a todos". O tique de apoiar-se de forma alternada numa e noutra perna denunciava seu nervosismo. 


sábado, janeiro 18, 2020

Zé Dirceu Memórias



Muitos escreveram sobre José Dirceu, com mais erros do que acertos. Com tempo, na prisão, ele mesmo escreveu a fascinante história de sua vida.
Os bastidores inéditos de sua militância estudantil nos anos 1960, o exílio e o treinamento para ser guerrilheiro em Cuba, a cirurgia plástica que mudou seu rosto, a vida clandestina no Brasil nos anos 1970, a volta à legalidade com a anistia, em 1979, e sua ascensão no Partido dos Trabalhadores, onde se tornou presidente e maior responsável pela eleição de Lula à presidência da República.
Pela primeira vez ele revela segredos dos bastidores da luta política dentro do PT e do próprio governo, onde foi chefe da Casa Civil e provável sucessor de Lula, até ser abatido pelas denúncias do chamado “Mensalão”.
No primeiro volume de suas “Memórias” – outro virá, com novas revelações – ele expõe o que jamais foi dito sobre sua vida e sobre os principais líderes da política brasileira nos últimos 50 anos. Um livro imprescindível para se entender como foi a luta contra a ditadura militar, a redemocratização, a derrubada do presidente Fernando Collor, a oposição aos governos de Fernando Henrique Cardoso, a eleição de Lula e Dilma e o atual momento político do país.




quarta-feira, janeiro 15, 2020

Cinco fatos literários sobre Lula


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aderiu a uma brincadeira nas redes sociais e listou fatos literários ligados ao período de 580 dias em que ficou preso. 
O gênero que mais gosta é o de biografias. “Sou fascinado por biografias. Nesses 580 dias, li as de Tiradentes, Fidel, Mandela, Prestes, Chávez, Putin, Marighella, entre outros”, relatou.
Os romances e não-ficção também têm espaços de destaque na ‘prateleira’ do ex-presidente.
“Meus preferidos nesse período: ‘O Amor nos Tempos do Cólera’, do Gabriel García Márquez, ‘A Elite do Atraso’, do Jessé Souza, ‘A Fome’, de Martín Caparrós, ‘O Petróleo’, de Daniel Yergin, ‘Sapiens’, de Yuval Harari e ‘Escravidão’, de Laurentino Gomes. 

domingo, janeiro 12, 2020

Porque Indiquei o Livro Relações Obscenas


Quem acompanha a política brasileira dos últimos anos e os documentos revelados pelo The Intercept Brasil sente aquela sensação de esperança e fé de que tudo será, finalmente, esclarecido e os responsáveis punidos. 

A Lava Jato foi vendida pela mídia e pela direita como a maior operação de combate à corrupção da história. Más todos nós, que acompanhamos a história de vida do ex presidente Lula, sabíamos que seu objetivo nunca foi combater a corrupção, mas retirar o Partido dos Trabalhadores do poder.

Não tínhamos dúvidas sobre o comportamento antiético do ex juiz Sergio Moro.

E nesse sentido, a Vaza Jato coordenada por Glenn Greenwald confirmou, não só o que sabíamos, mas também mostrou em detalhes como atuavam o ex juiz e os procuradores do MPF para condenar o ex presidente Lula.


Sandra Rezende 


O livro Relações Obscenas é primoroso, em 420 páginas, intelectuais descrevem as relações entre MPF, Judiciário e extrema direita em uma sucessão de análises, juntando os pontos, seguindo as trilhas e dando forma aquilo que norteava nossos pensamentos
Relações Obscenas é uma leitura importante para todos os brasileiros, independentemente, da sua posição política.

sábado, janeiro 11, 2020

Utopia de Thomas More


O livro Utopia, na verdade, remonta a uma ilha imaginária em temas considerados atuais até hoje, como a paz, guerra, finanças, poder, colonização e economia. 
More, que era um diplomata inglês, teria escrito Utopia em maio de 1515 nos intervalos de negociações em Flandres para defender os interesses de mercadores londrinos. 
Na ocasião, havia uma disputa entre o reino da Inglaterra e o príncipe de Castela, Carlos. Ela girava em torno da proibição pelos holandeses da importação de lã fabricada na Inglaterra. 
Embora descreva uma ilha imaginária, Thomas More descreve várias passagens reais da negociação e usa o livro para criticar o rei Henrique VIII. Não escapam à crítica os demais estados europeus, como a França. 
A ilha imaginada por More é perfeita não só na concepção política, com os cidadãos gozando da eficiência do Estado. Sendo assim, a religião também retrata o ideal de tratamento entre os homens. 
Ambos os casos diferem do que ocorre na Europa, que ainda lança mão da colonização para impor a religião cristã. 
More não deixa de criticar a ânsia pela conquista, considerando que Utopia é retratada somente 24 anos após a descoberta da América, dominada, agora, pelos ingleses.