domingo, fevereiro 20, 2022

Horácio - O Tucano Desajeitado
RobertoLobo


Roberto Lobo é Professor carioca sensível a causa de combate ao tráfico de animais silvestres. Formado em História, Geografia e Educação Ambiental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), tem uma trajetória em defesa do meio ambiente. É vice-presidente do Projeto Siri Azul, uma iniciativa da Frente Interativa de Esquerda (FINES), que defende a despoluição da Baía de Guanabara. Roberto acredita e defende o respeito a todas as formas de vida como fundamento de um mundo melhor para as futuras gerações, uma das razões que o levou a escrever “Horácio - o Tucano desajeitado.

Horácio, o Tucano desajeitado é uma obra atual que busca aproximar o meio ambiente como questão relevante na vida cotidiana da sociedade e, principalmente, convida o leitor através de seu personagem central Horácio, o tucano desajeitado, a conhecer a crueldade do tráfico de animais silvestres e o impacto cruel em nossa fauna do ponto de vista dele. A história é contada pelo próprio Horácio, numa narrativa de sua trajetória cheia de surpresas. Ele relata os acontecimentos desde o seu nascimento na floresta tropical, a saída brusca do seu habitat onde vivia com seus amiguinhos, até a sua chegada num ambiente novo e desconhecido. A sucessão de fatos é pontuada de encontros e desencontros. É um livro que enfatiza a importância do combate ao tráfico de animais silvestres através de uma leitura emocionante e reflexiva, e também, sensibilizar as pessoas pelo respeito que todas as formas de vida merecem.



quarta-feira, fevereiro 02, 2022

Pequeno Guia de Incríveis Artistas Mulheres
Beatriz Calil


Durante muito tempo, as artistas mulheres foram apagadas da história da arte em detrimento de seus colegas do sexo masculino. A artista Beatriz Calil escreveu o manifesto ‘Pequeno guia de Incríveis artistas mulheres que sempre foram consideradas menos importantes que seus maridos’, publicado pela editora Urutau, no intuito de valorizar a história dessas criadoras, além de lembrar que ainda hoje as estatísticas entre artistas homens e mulheres ainda é bastante desigual.



Confira a resenha do livro no link abaixo

A Casa da Vovó
Marcelo Godoy


Houve um momento em 1971, durante o regime militar, em que a repressão do Destacamento de Operações de Informações (DOI) de São Paulo aos militantes de grupos de esquerda no País mudou de qualidade. O cotidiano de violência e morte foi disciplinado.

Produziram-se regras sobre quem devia apanhar, quem devia bater, quem devia viver, quem devia morrer. Tudo com o conhecimento do comando. Essa história agora é contada pelos próprios agentes que trabalharam no DOI – e está no livro A Casa da Vovó. “Tinha um critério: foi preso, fez curso (de guerrilha) em Cuba ou na China ou na Argélia… Era na rua mesmo”, revelou o tenente Chico, que trabalhou 20 anos no DOI.

A ordem de matar os presos que tivessem treinamento de guerrilha no exterior se estendia às pessoas que, banidas do território nacional, voltassem clandestinas ao Brasil. “O banido era para morrer rápido. Já não existia. Tinha de morrer mesmo”, contou a tenente Neuza, que esteve no destacamento de 1970 a 1975.

segunda-feira, janeiro 24, 2022

O Brasil Não Cabe no Quintal de Ninguem
Paulo Nogueira



Não podia ser mais adequado o momento atual, com os diversos lançamentos acompanhados de palestras e debates do livro mais recente de autoria do economista Paulo Nogueira Batista Jr., 
O Brasil não cabe no quintal de ninguém. O título irônico cai como uma luva quando se vê, novamente escancarada, a cobiça permanente do grande irmão do norte e o seu olho grande nas nossas riquezas e potencialidades.

Considerem-se também os mais recentes acontecimentos apontando para mais uma investida violenta tentando a desestabilização política/econômica urgente da América Latina e se aproveitando, nessa urgência, das sombras neofascistas que lpairam sobre a democracia no continente e, em particular, no Brasil.

https://www.nogueirabatista.com.br/2019/11/18/resenha-de-o-brasil-nao-cabe-no-quintal-de-ninguem-no-portal-carta-maior/il.


domingo, dezembro 26, 2021

Poemas de Angola
Agostinho Neto

 


Poema

Do Povo Buscamos a Força

Não basta que seja pura e justa a nossa causa.

É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.

Dos que vieram e conosco se aliaram muitos traziam sobras no olhar intenções estranhas.

Para alguns deles a razão da luta era só ódio: um ódio antigo centrado e surdo como uma lança.

Para alguns outros era uma bolsa bolsa vazia (queriam enchê-la) queriam enchê-la com coisas sujas inconfessáveis.

Outros viemos. Lutar pra nós é ver aquilo que o Povo quer realizado.


http://www.marxists.info/portugues/neto/ano/mes/povo.htm

Sobre as poesias de Agostinho Neto

Política e poesia se misturam – e se complementam – na história de António Agostinho Neto, líder africano nascido em 17 de setembro de 1922.

http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/15229-agostinho-neto,-“poeta-maior”-e-primeiro-presidente-de-angola

terça-feira, dezembro 21, 2021

Memorial da Verdade


Foi lançado em agosto o Memorial da Verdade, uma nova plataforma digital, a qual se agrega um livro, para recontar e passar a limpo as farsas jurídicas e perseguição política ao ex-presidente Lula.

“A quem interessa criminalizar a política? Àqueles que tem dinheiro, que são a elite do país e não precisam da política como instrumento de construção da sociedade. Criminalizam a política quando tem seus interesses confrontados, não é a primeira vez na história que vivemos isso”, afirma a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, que assina o prefácio da versão em livro do Memorial.
(Comitê LulaLivre)


Conteúdo

https://pt.org.br/memorialdaverdade/

sábado, dezembro 18, 2021

Lula and His Politics of Cunning
John D. French


'LULA e sua política de astúcia: de metalúrgico a presidente do Brasil' foi lançado em 2020. O autor se refere ao ex-presidente como ‘o presidente mais popular da história do Brasil e talvez do mundo‘. O pesquisador é um estudioso das classes sociais, raças e política do Brasil.

O Guardian diz, de acordo com o trecho da matéria, que recomenda outros autores de vários temas distintos e, que, à primeira vista, LULA e sua política da astúcia parece um livro sobre o passado do Brasil: a história de um líder sindical perspicaz que se tornou “o presidente mais popular da história do Brasil e talvez do mundo”.

O jornal lembra a viagem do ex-presidente à Europa e, em especial, sua passagem “magistral” pela França, onde relatou sua origem na pobreza até chegar à Presidência do Brasil, além de sua queda, que conhecemos como o golpe que o tirou das eleições de 2018. Mas, de acordo com o autor, lembra a redação do The Guardian, “a história ainda não acabou”, conforme escreveu o autor da obra, o doutor French, sobre “o protagonista de 76 anos, que parece prestes a um retorno político sensacional nas eleições presidenciais do próximo ano.


sábado, dezembro 11, 2021

A Tempestade Perfeita
César Calejon


“Todo líder populista reza para que exista um inimigo externo, que seja capaz de unir a nação em torno dele. Bolsonaro teve o ‘melhor’ inimigo que a história poderia providenciar, mas foi tão estúpido que conseguiu se aliar ao vírus, contra a população brasileira.”

A afirmação é do jornalista Cesar Calejon, autor do livro Tempestade Perfeita: o bolsonarismo e a sindemia covid-19 no Brasil, que será lançado na próxima sexta-feira (15) pela Editora Contracorrente.


https://www.brasildefato.com.br/2021/10/13/tempestade-perfeita-livro-detalha-como-o-bolsonarismo-amplificou-os-estragos-da-pandemia




quinta-feira, dezembro 09, 2021

Lawfare Uma Introdução
CristianoZanin, Valeska Zanin e Rafael Valin

O termo “lawfare” conquistou o debate público na Europa e na América Latina desde que os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, em entrevista concedida no 10 de outubro de 2016, dele se valeram para explicar o caso Lula.

Seu conceito, porém, tem sido frequentemente confundido com outros tópicos consagrados como a judicialização da política ou o estado de exceção.

Agora, após anos de experiência e de reflexão teórica sobre o tema, os ilustres advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins se unem ao Prof. Rafael Valim para oferecer ao público brasileiro uma obra que, mediante a análise do lawfare militar, político, comercial e geopolítico, abre um extraordinário campo de reflexões sobre o Direito, a economia e a política contemporâneos.

Em resumo, um livro que já nasce clássico.



https://loja-editoracontracorrente.com.br/produto/lawfare/


segunda-feira, dezembro 06, 2021

AbreuGrafia
Zé de Abreu


Em Abreugrafia Livro I | Antes da fama, um dos maiores atores brasileiros de sua geração compartilha cenas e histórias dos seus anos de formação, muito antes de se tornar conhecido por seus personagens marcantes nas novelas da TV Globo. Com sinceridade, Zé de Abreu escreve sobre sua jornada de vida — e até mesmo antes disso. Ele conta sobre a chegada de seu Nono da Itália, as aventuras da infância vivida no interior de São Paulo, a mudança para a capital e a descoberta dos talentos como ator, produtor e agitador político e cultural.

O autor descreve também o período em que se autoexilou na Europa e viveu como hippie no fim dos anos 1960, a volta ao Brasil na década seguinte, a vida em família em Pelotas (RS) e a grande virada com o papel no filme A Intrusa (1979), que apresentou seu trabalho ao grande público, rendeu prêmios e o alçou para o casting da maior emissora do país.

Conheça a vida e a história do ator José de Abreu em suas próprias palavras.

Compre aqui


Era Só para Envolver o Lula na Zelotes
Maura Montella


economista Maura Montella, professora da UFRJ e autora de dez livros, usou as redes sociais nesta quinta-feira (30) para relembrar das falsas acusações da Operação Zelotes contra o ex-presidente Lula. O processo referente à Zelotes está entre as vinte vitórias judiciais do ex-mandatário. Nesta quinta-feira (30), o processo do Sítio de Atibaia chegou ao fim após resultado favorável à defesa de Lula.

https://www.google.com.br/amp/s/revistaforum.com.br/politica/economista-lula-zelotes-perseguiam-meu-marido-delatar/amp/

O livro de Maura Montella é uma emocionante e trágica história vivida por ela e seu marido Alexandre Paes dos Santos, que foi envolvido na Zelotes apenas para tentarem incriminar o ex presidente Lula. Maura esteve no Space Fines Convida no Twitter, onde bateu um papo agradável e esclarecedor com internautas para contar sua história e falar do seu livro. É uma guerreira, que em nenhum momento teve medo de enfrentar os “poderosos” e lutar contra as injustiças, que envolveram sua família e o ex presidente Lula.

(Sandra Rezende - Coordenação  FINES) 


Para comprar o livro, clique neste link 

https://clubedeautores.com.br/livro/a-injustica

terça-feira, novembro 09, 2021

Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo
Mário Magalhães


Mário Magalhães é jornalista, nascido em 1964. Trabalhou na Tribuna da Imprensa, O Globo, Estado de São Paulo, Folha de São Paulo. Recebeu prêmios, entre eles: o “Esso de Jornalismo” e o “Vladimir Herzog”.

O autor levou nove anos para reconstruir a história de Carlos Marighella, entrevistando 256 pessoas. Pesquisou em documentos históricos e garimpou alguns fatos inéditos. Trata-se de um livro de fôlego, repleto de revelações surpreendentes sobre figuras de nossa história recente. Registra a vida tumultuada e aventureira do militante comunista Carlos Marighella (1911-1969). Menino em Salvador, adversário e perseguido pela ditadura de Vargas, militante comunista, deputado federal, constituinte, fundador, em 1946, de grupo armado, após o regime de 1964, a Ação Libertadora Nacional (ALN). Filho do imigrante italiano Augusto Marighella, ferreiro e da negra malê liberta Maria Rita. Mulato, porte atlético, estudante de engenharia, irreverente, brincalhão e poeta.

https://www.ajufergs.org.br/blog/2017/07/17/resenha-marighella-o-guerrilheiro-que-incendiou-o-mundo/

domingo, novembro 07, 2021

A Guerra contra o Brasil
Jesse de Souza

Na leitura de Jessé Souza, as chaves interpretativas da realidade nacional predicariam na subserviência da elite econômica às agendas norte-americanas, na expansão do fundamentalismo religioso e numa latente tradição autoritária. Parece-me esse o tema central de "A Guerra contra o Brasil", um bem fundamentado livro que dá continuidade à linha crítica de Jessé Souza, importante pensador brasileiro, sobre quem já tratei nesta coluna Embargos Culturais. O livro é dividido em três núcleos argumentativos, em forma de capítulos: a ideologia do imperialismo formal norte-americano, a transformação do racismo em moralismo e as metamorfoses do neoliberalismo.


sábado, outubro 30, 2021

Vozes do Bolsa Familia
Walkiria Leão e Alessandro Pinzani


O livro Vozes do Bolsa Família – autonomia, dinheiro e cidadania, de Walquiria Domingues Leão Rego e Alessandro Pinzani1, publicado em 2013 pela Editora da Unesp, contribui no processo de organização das vozes daqueles historicamente silenciados nas pesquisas acadêmicas. Estruturalmente, a obra tem prefácio, introdução, cinco capítulos e considerações finais. Os capítulos têm por título sequencialmente: Ouvir a voz dos pobres; Bases teóricas da pesquisa; As entrevistas; Pobreza um conceito pluridimensional; e Dinheiro e autonomia.

No capítulo introdutório, os pesquisadores expõem a tese principal do trabalho, e informam os caminhos a serem delineados no percorrer do livro. Afirmando que “a renda regular em dinheiro é um importante instrumento de autonomia individual e política” (REGO; PINZANI, 2013, p. 20), eles se propõem a investigar os efeitos políticos e morais na vida e nas individualidades de beneficiários do Programa Bolsa Família. Para tal, realizaram durante cinco anos viagens de pesquisa nas regiões mais pobres e tradicionalmente desamparadas do Brasil, e nestas localidades entrevistaram mulheres que vivem em estado de extrema pobreza material e, também, na maior parte dos casos, de submissão de gênero e familiar.

https://www.periodicos.udesc.br/index.php/linhas/article/download/1984723816312015325/pdf_74/19149

Leia em PDF

http://www.dan.unb.br/images/pdf/anuario_antropologico/Separatas%202013_II/Vozes%20do%20Bolsa%20Familia.pdf

segunda-feira, agosto 23, 2021

A Resposta
KATHRYN STOCKETT

 


Uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA.

Eugenia Skeeter Phelan acabou de se graduar na faculdade e está ansiosa para tornar-se escritora, mas encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Porém, o único emprego que consegue é como colunista de dicas domésticas do jornal local. É assim que ela se aproxima de Aibellen, a empregada de uma de suas amigas. Em contanto com ela, Skeeter começa a se lembrar da negra que a criou e, aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, tem uma ideia perigosa: escrever um livro em que empregadas domésticas negras relatam o seu relacionamento com patroas brancas.

https://lelivros.love/book/download-a-resposta-kathryn-stockett-em-epub-mobi-e-pdf/


Catolicismo e Escravidão
Ricardo de Souza


Ricardo Luiz de Souza, em seu livro Catolicismo e Escravidão: o discurso e a posse, traz a público as tradições e contradições da Igreja Católica quanto ao processo de escravidão indígena e africana no Brasil e, mais amplamente, na América Latina.  

A fim de analisar o posicionamento desta Instituição ao longo dos séculos, o autor se aprofunda na literatura especializada, sobretudo nas obras de Gonzalo Fernandez de Oviedo, Juan Ginés de Sepúlveda, Francisco de Vitoria e Bartolomé de Las Casas. Os dois primeiros, defensores da escravidão indígena e, os dois últimos, críticos desta prática. A análise comparativa destes autores ajuda o leitor a esclarecer pontos importantes sobre o debate da escravatura na América colonial, especialmente em relação ao tratamento diferenciado dado aos indígenas e africanos em solo americano. Enquanto a escravidão indígena era, para alguns, considerada contrária aos preceitos cristãos, a exploração dos povos africanos, por vezes, era estimulada pelos mesmos autores.


Leia em PDF

https://portal.unila.edu.br/editora/livros/e-books/catolicismoescravidao-1.pdf

O Ócio Criativo
Domenico De Masi


Pra muita gente, defender o ócio pode parecer “andar na contramão”, num mundo em que o trabalho e a agilidade são supervalorizados. No entanto, quando o assunto é o ócio criativo, a coisa muda de figura. 

Esse conceito popularizou-se com o sociólogo italiano Domenico De Masi, após o lançamento do livro O Ócio Criativo, 1995. Nessa obra, o autor não se refere ao ócio como indolência, preguiça ou algo alienante. Pelo contrário, o ócio criativo aparece como uma combinação harmoniosa do trabalho, estudo e lazer.

Leia em PDF 

https://blog.12min.com/br/resumo-do-livro-o-ocio-criativo-pdf/amp/



segunda-feira, agosto 02, 2021

Guerra Cultural - A Retórica do Ódio
João César Castro Rocha


O senhor entende que há uma guerra cultural especificamente bolsonarista e que ela difere de um conceito mais amplo de guerras culturais. Quais são os pilares dessa guerra cultural bolsonarista?

Eu não nego em nenhuma circunstância que há elementos dessa guerra cultural bolsonarista que são elementos transnacionais, que você vai encontrar na chamada alt-right americana, vai encontrar no Movement, do Steve Bannon; e há uma série de técnicas, sobretudo aquelas associadas à utilização muito hábil das redes sociais, que não são especificamente bolsonaristas ou particularmente brasileiras. Mas o que eu estou sugerindo, desde março de 2019, é que a guerra cultural bolsonarista é o eixo do governo. Isto, naquela época, parecia absurdo porque todos atribuíam às políticas anticorrupção do Sergio Moro e à agenda liberal econômica do Paulo Guedes os pilares fundamentais [do governo Bolsonaro], mas eu já afirmava que o eixo do governo como um todo é a guerra cultural bolsonarista.

Qual é o esteio da guerra cultural bolsonarista? O que conformou a mentalidade de Jair Messias Bolsonaro e seu clã? O Bolsonaro, mais do que um político, é uma franquia; há uma franquia Bolsonaro de políticos. A mentalidade de Jair Messias Bolsonaro foi formada pelo Exército brasileiro, mas moldada numa linha muito particular do Exército, que é marcada pelo ressentimento a partir da repercussão de um autêntico livro-monumento lançado em 1985 que é o livro Brasil: nunca mais. Esse é um livro particularmente importante porque denunciou as torturas, as arbitrariedades e desaparecimento de corpos da ditadura militar de uma forma incontestável. Sob o patrocínio do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, ele principiou em 1979, quando os advogados de presos políticos tiveram acesso aos processos de seus clientes e ganharam o direito de ficar com eles durante 24 horas. Eles xerocaram os processos do Superior Tribunal Militar, reunindo aproximadamente 6 mil páginas, e eis a surpresa: em processos instruídos pela própria Justiça Militar, isto é pela própria ditadura militar, os presos denunciaram aos juízes militares as torturas que haviam sofrido. O Brasil: nunca mais reúne um conjunto de depoimentos de jovens de 20 e poucos anos, extraídos dos processos da Justiça Militar, em que todos fazem o mesmo relato, alguns dizem que foram usados como cobaia em aulas de tortura. É impressionante, um livro negro da ditadura militar.

segunda-feira, julho 19, 2021

Infâncias Perdidas
Sônia Altoé


Este estudo é fruto de preocupações e indagações que atravessam a minha formação profissional de psicóloga e psicanalista, e trata especificamente da questão de internação de crianças. Foi iniciado quando de minha primeira experiência em internato de crianças, como psicóloga, contratada em julho de 1980, e foi extraído da minha tese de doutoramento defendida em junho de 1988 no Departamento de Ciências de Educação da Universidade de Paris VIII.

Após terminar a tese de mestrado, também realizada na Universidade de Paris VIII em 1978-1980, voltei ao Rio de Janeiro com instrumental teórico sobre Análise Institucional e prática de intervenção feita pelos institucionalistas. Meu relacionamento se deu, sobretudo, com René Lourau, Georges Lapassade e Remi Hess. Tive também oportunidade de discutir meu trabalho, objeto de tese de mestrado1 com Jean Oury e Jo Manenty e fiz um breve estágio em Bonneuil. Ao voltar, a experiência em internato foi meu primeiro emprego como psicóloga contratada. E, por motivos que são desenvolvidos na introdução, este trabalho se apresentou como uma oportuna possibilidade de adotar procedimentos e interpretações distintas daqueles que tinha realizado até então. Para ampará-los trouxe uma vasta literatura sobre Analise Institucional e me mantive atualizada através de correspondência que estabeleci com meu orientador René Lourau, a quem sou imensamente grata pela paciência e pela orientação recebida.

Sou grata também a Zélia, com quem pude falar o quanto este trabalho com crianças confinadas me angustiava, o que permitiu mudanças no meu ânimo e nos caminhos trilhados.

https://static.scielo.org/scielobooks/69ysj/pdf/altoe-9788599662946.pdf